39% dos consumidores tiveram crédito negado em julho por dívidas anteriores não pagas

Na média, 19% dos brasileiros não puderam comprar a prazo, mas quase 40% foram impedidos por estarem negativados no SPC Brasil.

 

Em meio ao cenário de alta da inadimplência e de desemprego elevado, o consumidor brasileiro tem encontrado dificuldades para comprar a prazo. Dados do Indicador de Uso do Crédito apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostram que em cada dez brasileiros, dois (19%) tiveram crédito negado ao tentarem parcelar uma compra, o percentual é ligeiramente acima dos 17% observados em junho. De acordo com os entrevistados, a restrição do CPF em virtude do não pagamento de contas foi a principal razão para a negativa (39%), seguida de renda insuficiente (18%) e falta de comprovação de renda (12%).

Para o presidente da CDL Petrópolis, Luiz Felipe Caetano da Silva e Souza, o alto índice de consumidores com restrição no SPC Brasil é um reflexo desses dias difíceis e preocupa o varejo.

– Nós vemos esses números com muita apreensão, porque eles refletem uma situação muito difícil da nossa economia que, em minha opinião, já demora tempo demais para ser, pelo menos, amenizada. É lamentável constatar que em julho quase 40% dos consumidores ficaram de fora do mercado porque não conseguem acertar suas dívidas anteriores. Com isso, o comércio vendeu menos, a indústria produziu menos, mais empregos se perderam e o país continuou estagnado – aponta Luiz Felipe.

O presidente da CDL Petrópolis lembra ainda que, nesses tempos difíceis, o fato do sistema de informação de crédito do SPC Brasil, que a entidade disponibiliza para seus associados, ter conseguido detectar quase 40% de devedores que foram impedidos de contrair novas dívidas é muito significativo no que se refere à proteção do varejo contra a inadimplência.

O levantamento mostra ainda que a contratação de empréstimos ou de financiamentos também é um entrave na avaliação dos consumidores. Metade (50%) dos entrevistados considera difícil a sua contratação, sendo que o percentual aumenta para 55% dos consumidores que ganham até cinco salários mínimos.

O estado das finanças do consumidor colabora para esse comportamento cauteloso por parte dos credores. Apenas 13% dos consumidores brasileiros estão com as contas no azul – ou seja, com sobra de recursos para consumir ou fazer investimentos. A maior parte (46%) admite estar no ‘zero a zero’, sem sobra e nem falta de dinheiro, enquanto 35% encontram-se no vermelho e não conseguem pagar todas as contas com a renda que possuem.

As condições pouco propícias ao crédito fizeram com que a maior parte (56%) dos brasileiros não recorresse a nenhuma modalidade no mês de julho. Ainda assim, cresceu a parcela dos que conseguiram contratar algum tipo de crédito, passando de 40% em junho para 44% em julho. O cartão de crédito, que é uma linha pré-aprovada, liderou o ranking como a modalidade mais utilizada no período, mencionado por 38% dos consumidores. O crediário apareceu em segundo lugar, com apenas 10% de citações, seguido do cheque especial (7%), empréstimos (5%) e financiamentos (4%).

A pesquisa abrange 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. A amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.

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