Da união de médicos à 1ª cooperativa petropolitana

Carolina Freitas

Para o escritor Gary Chapman, existem cinco linguagens do amor em que os relacionamentos são construídos e fortalecidos. Ainda que diferentes, todas elas revelam a preocupação em doar um pouco de si ao outro. Prestes a completar 50 anos de fundação em Petrópolis, a história da Unimed revela a construção de laços pautados em cuidar bem do amor de alguém num jeito próprio de se comunicar.

Arquivo/Unimed Petrópolis

Segundo Chapman, constituem as cinco linguagens do amor as palavras de afirmação, o tempo de qualidade, o toque físico, os atos de serviço e o recebimento de presentes. Partindo do princípio de que cada um possui uma maneira própria de receber e dar amor, é de se entender que as empresas também desenvolvem sua linguagem particular. No caso da Unimed em Petrópolis, a preocupação com o cuidado teve início já com sua fundação.

Nascida em 1972 da união e do desejo dos médicos de remover os intermediários e a interferência externa da prática médica com o cliente, a Unimed foi a primeira e única operadora de plano de saúde petropolitana. Tendo transformado o cenário da saúde na cidade, a chegada da cooperativa ao município é lembrada com emoção por um de seus cooperados fundadores, o Dr. Vicente de Paulo Cardoso Albuquerque, de 87 anos.

“Em meados dos anos 60 surgiu essa ideia de formar uma cooperativa de trabalho médico. Ela tinha sido fundada em Santos com muito sucesso, então fomos angariando médicos”. Tido como o único cooperado fundador da Unimed Petrópolis ainda em atividade, o Dr. Vicente recorda com satisfação a trajetória de crescimento do grupo, que de mais de cem fundadores saltou para quase 300 médicos associados e mais de 30 mil usuários. 

 Imagem traz registro da inauguração da sede administrativa da Unimed na Rua Irmãos D’Angelo. Foto: Arquivo/Unimed Petrópolis

“Naquela época a saúde aqui na cidade era carente de assistência médica. As empresas não tinham quem cuidasse da saúde dos funcionários e até dos executivos, então a chegada da Unimed foi muito importante”. Ainda que “uma luta grande”, como ele mesmo descreve, o segmento é recompensado pela alegria que é trabalhar em prol do próximo e fazer bem à saúde dos petropolitanos.

É o que confirma, por exemplo, o Dr. Rafael Gomes de Castro, de 46 anos. Atual presidente da Unimed em Petrópolis, ele fala sobre os valores que o motivaram a se tornar médico e, mais tarde, gestor do grupo na cidade. Cooperado da Unimed desde 2005, pode-se dizer que, de lá para cá, sua jornada assumiu caminhos próprios que, ainda que diferentes do que havia sido vislumbrado, foram capazes de multiplicar o bem a que já se dedicava.

Divulgação

De coordenador da sala de urgência a diretor técnico e, depois, diretor geral do hospital, o petropolitano foi eleito vice-presidente e, mais recentemente, presidente da Unimed na cidade. Radical, a mudança demandou sua dedicação exclusiva à gestão do grupo. E ainda que, neste momento, sua prática médica não aconteça em consultório, o tratamento ao próximo continua a ser regido por princípios que vão além da medicina.

No registro, o Dr. Rafael aparece no centro ainda na época de estudante

“Sou apaixonado pela gestão, mas sou médico, e a medicina, naturalmente, nos faz ter reflexões sobre a vida e a relação com as pessoas. Se na arte do cuidar médico você tem que prestar muita atenção nas pessoas, na minha visão, na gestão você triplica esse cuidado. Você está lidando com o ser humano em todos os outros momentos da vida dele e não naquele que, na maioria das vezes, é de fragilidade”, descreve o presidente.

Responsável por atribuir à empresa uma nova filosofia – a de cuidar bem do amor de alguém – o Dr. Rafael comenta a importância de, assim como ocorreu no processo de fundação da Unimed da cidade, continuar a estimular o cuidado com o cliente e entre os cooperadores e cooperados. “Os amores de alguém também somos nós no dia a dia. É um propósito que a gente criou no sentido de tirar a frieza e criar aproximação, empatia”.

Na imagem, Silvia Guedon ao lado do falecido pai, Philippe Guedon. Foto: Arquivo pessoal Silvia Guedon

“Somos todos muito gratos por todos que partilharam da vida dele e da saúde dele”, exprime sua esposa, Lucia Guedon, de 88 anos. Além do patriarca, quem também viu a vida mudar após um momento de dificuldade foi sua filha, Silvia. Internada na UTI durante dois períodos que, somados, resultaram em 29 dias, ela é uma das sobreviventes da Covid-19 no município e garante: “graças à atenção e ao cuidado dos médicos eu venci”.

Determinante, como ela mesma descreve, a gentileza e o acolhimento recebidos em períodos de vulnerabilidade fortalecem e modificam a relação com a empresa. “É uma gentileza que vai além da corporativa fria. Não tenho a menor dúvida de que a Unimed e minha família têm laços de carinho. Não é meramente uma instituição, um corpo de médicos. Ali você encontra atenção em desdobramentos que poderiam ter sido ruins”.

Um legado de carinho

Retrato de uma equipe que busca colocar em prática as diferentes linguagens do amor, a Unimed tem em sua própria infraestrutura a base para a comunicação. Afinal, é dela que partem os elos de confiança e cuidado. Para se ter uma ideia, aos 54 anos, o contador José Maia acumula 35 anos de empresa. Contratado como office boy, ele depois passou a estagiário do setor de Contabilidade, onde permanece até hoje.

Local em que constituiu sua família e viveu boa parte dos capítulos de sua vida, ele faz questão de se referir à empresa como sua família e sinônimo de doação – do tempo, carinho e cuidado para constituir o todo. “Eu posso falar que a minha dedicação total é a minha satisfação. Eu me doei e vejo isso como um ponto importante e fundamental. A gente viu de perto o hospital crescendo. A empresa significa credibilidade e eu enxergo muito isso”.

Unidos pela mesma preocupação em bem atender e cuidar, o que se vê na cooperativa é um legado de carinho. Quem, como Maia, já colabora com a Unimed há algumas décadas é o técnico de enfermagem Francisco Thomaz de Oliveira Junior, de 49 anos, o Juninho. Contratado há 25 anos, além de colocar em prática os valores da empresa, ele honra, todos os dias, a memória de sua mãe, Vilma Gonçalves de Oliveira.

“Minha mãe fazia um trabalho na nossa comunidade, do Atílio Marotti. Ela era parteira e fazia socorro com as crianças. Ela fazia verificação de pressão, nível de glicose. Eu achava aquilo muito bonito e através dela tive esse sonho de fazer o mesmo”. Resultado da união de valores que buscam multiplicar o bem, a Unimed Petrópolis segue, há meio século, com a missão de construir laços e amparar com um jeito próprio de se comunicar.

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