Óticas Obelisco: há quase 40 anos ponto de partida para novos olhares

Carolina Freitas

Munido ou não do acessório no rosto, quem visita ou mora em Petrópolis, mais cedo ou mais tarde, desperta um olhar próprio da cidade. Sem necessidade de consulta para atestar a troca de lentes, mudam-se os pontos de vista e, com eles, a sensação de pertencimento. Há quase 40 anos, assim também são as Óticas Obelisco. Moldadas na empatia, as lentes da loja fazem das armações potentes estruturas capazes de gerar e estimular a mudança.

(Petrópolis Sob Lentes)
Equipe da loja matriz das Óticas Obelisco, que fica na Rua do Imperador, número 739

Quando, em meados da década de 80, o empresário Luiz Felipe Caetano da Silva e Souza, de 68 anos, assumiu, pela primeira vez, a gestão de uma ótica, ele não previa o número de transformações que estavam por vir. Advogado de formação, o Sr. Felipe abriu mão do escritório para defender os interesses do público em um outro ambiente. Motivado pelo irmão a entrar no ramo, ele se viu à frente de um negócio que é extensão do consultório.

Morador de Petrópolis desde os 12 anos, foi em Caxias que Felipe viveu suas primeiras experiências como administrador de óticas. Morando na Serra e descendo diariamente para o trabalho, tão logo viu a oportunidade de manter uma loja na cidade que elegeu como sua morada, ele a abraçou e não largou mais. Comprador da então modesta Ótica Obelisco, que ficava numa estreita loja próxima ao Café Rio Branco, ele também expandiu sua visão.

“Eu mantinha a loja em Petrópolis para ter como ficar na cidade duas vezes por semana. Acabou que o mercado se mostrou receptivo. Eu acreditei na praça e troquei minhas bandeiras”. Chegando a administrar 30 óticas no Estado, Felipe conta hoje com 5 lojas em Caxias e outras 5 em Petrópolis, sendo 3 delas parte do grupo Óticas Obelisco. Estimulado pelos desafios do comércio, o visionário descreve suas quatro décadas como comerciante.

Loja situada na Rua do Imperador, número 799
Loja situada na Rua do Imperador, número 509

“Gosto mesmo é dos desafios do comércio. A gente tem que se reinventar, senão fica para trás. Ao mesmo tempo em que te estressa, te impulsiona a ser um ser pensante”. Inspirado pelo pai, Vinicius de Barros Souza, de 37 anos, já segue os passos do patriarca. Também formado em advocacia, ele, a exemplo de Felipe, optou por fazer a diferença em outra esfera e a se ver motivado pelos elos que constrói e as vidas que transforma.

“Comecei a trabalhar com meu pai assim que me formei na escola, aos 17. Chegou um determinado momento em que eu vi que o Direito no Brasil não é tão justo, e isso me decepcionou um pouco. Meu pai me ensinou que o maior patrimônio da ótica não são os óculos, mas o cliente. O elo que a gente cria com ele. O tenho como exemplo. Se eu alcançar metade do que meu pai conquistou, vou estar feliz”, exprime Vinicius.

(Divulgação)
Vinicius acompanhado do pai, Luiz Felipe, com quem tem trabalhado nos últimos 10 anos.

Num dia a dia em que a alegria de oferecer soluções aos problemas oculares recebidos é maior do que eventuais dificuldades, ficam satisfeitos os clientes e, da mesma forma, aqueles que movimentam as engrenagens para tornar a mudança possível. Amiga de Felipe desde os 14 anos de idade, Tânia Conforte, de 64, fez uma transição profissional em que, de instrumentadora cirúrgica, passou a vendedora e, mais tarde, gerente da ótica.

Tendo que se reinventar, Tânia aprendeu que, dentro de uma ótica, é necessário haver postura, dedicação e confiança nos vendedores tal qual um paciente confia em um médico. “A ótica é um segmento que é continuação de um consultório médico. Você tem que ser amigo, mas muito profissional. Tenho clientes que me acompanham nesses 16 anos”, diz Tânia, que divide sua evolução com a também funcionária Creusa Reis, de 57 anos.

Parte da história das Óticas Obelisco há quase 20 anos, Creusa trabalha no caixa da loja matriz e também na área administrativa. Movida pelo prazer em atender, ela oferece um diferencial – a maneira com que acolhe os clientes através do uso de uma lente própria da empatia. Tendo descoberto, anos antes de trabalhar na ótica, que havia perdido a visão do olho esquerdo, Creusa se relaciona com o mundo de maneira diferente desde então.

“Antes, eu questionava muito o porquê disso ter acontecido comigo e, logo depois, eu vim trabalhar dentro de uma ótica. Aqui eu vi que, às vezes, a dificuldade começa tão cedo. Vi que as pessoas têm dificuldades maiores do que as minhas. Crianças”, reflete Creusa. E se é a energia a responsável por criar a realidade, um aspecto é certo: da chegada das lentes à montagem de cada uma, existe carinho e comprometimento em cada etapa.

Aos 40 anos, Marco Aurélio Nicolau é o responsável pela montagem das lentes que são direcionadas às três lojas das Óticas Obelisco, localizadas na Rua do Imperador 737, 799 e 509. Com 19 anos de casa, é ele quem molda as lentes nos formatos das armações. Em contato direto com as soluções entregues a cada cliente, ele fala sobre a emoção que é ajudar e contribuir para uma mudança de olhar, seja para uma criança ou adulto.

“É uma área de saúde e a gente ajuda a pessoa a enxergar o mundo de uma forma diferente. Outro dia eu fiz óculos para uma criança de 5 anos. Eu já montei óculos até de 29 graus. São pessoas que, às vezes, têm 0,5 de visão”. Gratificante, o segmento desperta novos olhares em quem passa a contar com um acessório extra e, principalmente, naqueles cujo ponto de vista e a visão passam a ser pautados pelas lentes da empatia.

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