Casa Olímpica: há quase três décadas lar de variedade

Carolina Freitas

Ainda que, pela norma, os jogos olímpicos sejam realizados de quatro em quatro anos, quem atua no comércio sabe bem que a batalha é diária. Lar de desafios, desde 1993 a Casa Olímpica tem se mostrado vitoriosa. Completa pela variedade de mercadorias que oferece, a loja também é diversa pela equipe que a constitui e pelos clientes que atende.

Foto: Petrópolis Sob Lentes

Para competir nas Olimpíadas, é esperado que haja uma rotina intensa de preparação no período que antecede o torneio. No caso do comerciante Geraldo Nascimento Pereira, de 68 anos, o treinamento veio ainda na adolescência. Natural de Sardoal e o mais velho de 13 irmãos, ainda criança ele teve suas primeiras experiências no armazém do pai.

Tendo tido que assumir o estabelecimento aos 15 após complicações na saúde do pai, o sardoalense viveu uma série de treinamentos que o condicionaram a se tornar comerciante. Desde cedo ensinado que, independente do esporte praticado e da categoria concorrida, a dedicação é determinante no sucesso, Geraldo recorda seu começo em Petrópolis.

Atuante no ramo alimentício desde que se entende por gente, o empreendedor foi sócio em restaurantes, padarias e lanchonetes, como foi o caso da Adega Olímpica. “A loja não estava dando retorno e do jeito que estava não podia ficar. Os sócios autorizaram que eu mudasse e, depois de oito dias pensando, decidi que montaríamos uma loja de utilidades”.

Decidido a se aventurar em um ramo do qual não tinha conhecimento, Geraldo conseguiu 10 mil dólares emprestados para investir em mercadorias, reuniu coragem e se lançou ao desconhecido. “Comecei com um pedacinho da loja. Mesmo com o dinheiro emprestado as prateleiras estavam vazias. Foi bastante complicado”.

Acompanhado da antiga equipe da lanchonete Adega Olímpica, que sabia tanto quanto ele sobre ferragens, Geraldo diz que foram necessários entre 4 e 5 anos para que o negócio, realmente, engrenasse. “Hoje, é uma loja referência na cidade. Se eu tivesse desistido, não teria vivido o que tenho vivido graças à loja”, reflete.

Foto: Divulgação

Fortalecido pelo coletivo, é certo que o comércio se constrói em equipe, a começar pelo apoio da família. Na Casa Olímpica, pode-se dizer que os pódios se devem à devoção incondicional da esposa, Ana Maria Bernardes Pereira, e dos filhos, Raquel, Camila, Juliana e Rafael, do comerciante Geraldo.

Aos 44 anos, a filha do meio, Camila Bernardes Pereira Silva, fala com orgulho sobre o caminho percorrido em família. Primeiro emprego seu e de seus irmãos, foi no local que ela obteve seu primeiro salário, absorveu os valores que constituem um bom profissional e adquiriu as experiências que fazem dela quem é hoje.

“Nós íamos para a escola de manhã e trabalhávamos aqui meio período. Cada dia trabalhávamos duas, enquanto a outra ficava em casa com meu irmão, que era pequeno. Foi sempre tudo feito com muito sacrifício. Era minha mãe, meu pai, meus irmãos e dois funcionários. É um orgulho grande ver no que a loja se tornou hoje”.

Foto: Petrópolis Sob Lentes

Também personagem na história do estabelecimento é Rosane Nascimento Pereira Fofano, de 47 anos. Irmã mais jovem de Geraldo, ela foi colaboradora do negócio de 1999 a 2005. Separados por 21 anos de diferença, Rosane diz que, se de um lado acontecia o casamento de Geraldo, do outro estava ela com seus seis meses de idade. 

Durante um bom tempo praticamente desconhecidos, foi no período em que contribuiu com a loja que a caçula teve a oportunidade de se aproximar de um lado da família do qual só havia ouvido falar. “O Geraldo é o mais velho e ficou como uma figura muito forte para a gente. Ele nos ajuda até hoje e foi lá na Casa Olímpica que passei a conhecê-lo melhor”.

Constantemente indicada ao público por outras lojas do mesmo segmento na cidade, a Casa Olímpica oferece de tudo um pouco. Ao todo, são cerca de 14 mil itens que variam entre materiais elétricos e hidráulicos, tintas, ferragens, máquinas, ferramentas, geradores, aquecedores, produtos para acabamento, decoração e jardinagem. 

Caracterizado pelo bom preço e atendimento, o local também é detentor de uma atmosfera típica de torneios esportivos em que a torcida é organizada, ainda que o ambiente seja movimentado. “Trabalhei aqui por uns 7, 8 anos. Fiz faculdade, trabalhei no Rio e voltei. Fiquei uns 15 anos fora e, para mim, foi muito bom ver como a loja cresceu”, diz Camila. 

Daquelas em que, se modernizar estraga, a Casa Olímpica é o resultado da união de bagagens dos funcionários e também do público, que rege o ritmo e a direção dos torneios. Colaboradora da loja desde os seus 6 meses de fundação, Dulce Helena de Souza, de 48 anos, comenta sobre o caminho trilhado até aqui.

“Quando eu entrei a gente trabalhava com utilidades e poucas ferragens. Aos poucos vai mudando naturalmente. O tempo passa e a gente nem vê”. Como numa boa partida em que o ponteiro avança sem que se perceba, a Casa Olímpica tem registrado vitórias diárias frente a uma torcida crescente que, há 29 anos, é parte crucial no rumo do jogo.

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